Privacidade em tempos de Data Economy - BOX1824
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Privacidade em tempos de Data Economy
Blue Sky. Photo by Arthur Mazi on Unsplash.

Não! Dados não são como petróleo. Dados e petróleo nem sequer deveriam estar juntos na mesma frase, quem dirá sendo usados na mesma construção de uma afirmativa tão perigosa como essa. Dados são elementos que constituem uma informação quando são tratados devidamente. Dados são extremamente valiosos na Era da Informação, precisamos ficar vigilantes com a privacidade em tempos de Data Economy.

“Quem é você? O que você gosta de comer? Qual sua religião? Em quem você votou na última eleição? Você pode desenvolver uma doença no futuro?” Perguntas como essas parecem inofensivas quando estão isoladas, mas quando o assunto são nossas informações pessoais, deveríamos ao menos saber por que e como instituições estão lucrando com isso.

Por que a matéria-prima que constitui informações sobre nós está sendo comparada ao combustível fóssil mais explorado do planeta?

Dados são extremamente valiosos na Era da Informação e do Capitalismo de Vigilância, porque o desenvolvimento tecnológico está sendo tratado como inevitável. Tudo em prol da personalização e até mesmo da segurança nacional. Mas quanto mais dados são coletados, menos segurança temos.

No Brasil, um ano se passou após o último megavazamento de dados. Foram mais de 220 milhões de CPFs disponibilizados de graça. Além disso, informações complementares como nome completo, score de crédito, endereço, entre outras também foram vendidas em fóruns na internet.

O que você perde quando não tem privacidade

Suas fantasias sexuais, seus medos, sonhos, suas doenças do passado, conversas pessoais, sua fé, o valor disponível na sua conta bancária, seus traumas, relacionamentos, seu DNA e histórico familiar. Seus segredos mais sombrios, o que causa vergonha em você ou o que você quer guardar apenas na sua intimidade. Seus tweets com opiniões que você tinha aos 15 anos, suas confissões, seus desabafos. Coisas que você expôs para um pequeno grupo de pessoas ou assuntos que você abordou apenas com seu médico. Agora, imagine tudo isso dentro de uma caixa com um cadeado. Você não gostaria de escolher com quem compartilhar a chave?

Ano após ano, milhares de escândalos sobre vazamento de dados vêm à tona. De cartões de crédito a informações sobre tendências à violência, tudo tem sido negociado bem debaixo dos nossos narizes por instituições públicas e privadas com ou sem respaldo da lei.

Em 2018, sem consentimento, o Grindr compartilhou o status de HIV dos usuários com outras empresas com a justificativa de que é uma prática padrão da indústria. Além de informações de saúde, foram compartilhados dados como: localização geográfica, identificação de telefone e endereço de e-mail.

“A privacidade é importante porque a falta dela dá aos outros o poder sobre você”                                                                                                            Carissa Véliz

 

Você já teve a estranha sensação de que algo estava de olho em você durante o sono, uma corrida matinal ou em uma visita ao médico?

Diariamente milhares de informações sobre nós são compartilhadas — desde hora que acordamos até quando estamos dormindo — por meio de aplicativos de monitoramento de sono e saúde, localização, redes sociais, câmeras de rua com reconhecimento facial, streamings e até mesmo aquele questionário online engraçadinho sobre qual participante do BBB seríamos.

O direito à privacidade está previsto em nossa Constituição Federal, em seu art. 5, inciso X, dispondo que são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas. No entanto, instituições privadas e governamentais têm aplicado certo esforço em saber tudo o que podem sobre nós e chamando de “personalização” ou usando a desculpa de ser essencial para a segurança. Mas quais interesses estão por trás disso?

Há alguns anos, a Cambridge Analytica obteve indevidamente os dados de 87 milhões de usuários, sendo 443.117 brasileiros. Em 2021, a cibersegurança ou a falta dela marcou o Brasil. Estima-se que os dados de mais de 212 milhões de brasileiros (incluindo falecidos) foram vazados. Informações como nome, data de nascimento, endereço, CPF, imposto de renda, score de crédito, fotos de rosto etc. estavam disponíveis em um fórum online.

Se a falta de privacidade está colocando em risco a democracia, nossos valores, o bem-estar social, a liberdade, a segurança pessoal e nacional, deveríamos falar mais sobre essa tal economia da vigilância.

Segundo a Safernet, “Privacidade está relacionada com nosso direito de controlar os tipos de compartilhamento e uso das informações sobre nossas vidas, quem pode saber o que, e em quais condições. O direito a privacidade é um dos direitos humanos fundamentais para a dignidade humana e para a autonomia”.

Pessoas e organizações precisam de autonomia para funcionar. Uma democracia sem liberdade ou autonomia, não é uma democracia. Por isso, deveríamos questionar a facilidade com que a tecnologia colhe, armazena e manipula nossos dados.

Um sentimento chamado techlash

Uma pesquisa do Pew Research Center mostrou que o número de americanos que acreditavam que as empresas de tecnologia tinham um impacto positivo na sociedade caiu de 71%, em 2015, para 50% em 2019 (New York Times).

Techlash é um resultado previsível. Após tantas frustrações, é normal que as pessoas questionem e sintam aversão à tecnologia. Até Tim Cook, diretor-presidente da Apple, pediu regulamentação do setor.

Essa reação está tirando o sono de muitas instituições. No Brasil, após uma longa batalha, a Lei Geral de Proteção de Dados foi aprovada. A Lei nº 13.709 estabelece papéis, direitos e obrigações; além de fixar as hipóteses de coleta e tratamento de dados e fazer sanções e fiscalização (Agência Brasil). Em 20 de outubro de 2021, o plenário do Senado Federal aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 17/2019, que torna a proteção de dados pessoais um direito fundamental.

Privacidade é negócio

Investir em proteção de dados de clientes e privacidade é negócio. Com as pessoas se preocupando cada vez mais com suas informações, instituições no mundo inteiro começam a se mobilizar para desenvolver estratégias e produtos em prol da privacidade de dados.

Pesquisadores do instituto CyLab Security and Privacy da Carnegie Mellon University estão trabalhando em um protótipo para um rótulo/etiqueta de privacidade de dados projetada para produtos eletrônicos. O rótulo, voltado para fabricantes de dispositivos da Internet das Coisas (IoT), organizações de padronização e outros, é projetado para fornecer maior transparência sobre privacidade de dados para os consumidores. Esses dados podem ser disponibilizados para qualquer dispositivo inteligente conectado à internet — incluindo câmeras de segurança, geladeiras, alto-falantes, campainhas e muito mais. As etiquetas devem ser visíveis na embalagem do produto ou nos sites em que os dispositivos são vendidos. (Fonte: LS:N Global)

Com essa iniciativa, os consumidores cada vez mais conectados podem obter informações sobre a finalidade de seus dados, como e onde são armazenados e se permanecem anônimos. Dessa forma, a transparência torna-se chave, assim como o controle de dados que retornaria às mãos do consumidor.

Um estudo realizado pela empresa de tecnologia Cisco mostrou que a proteção da privacidade de clientes e parceiros está agregando valor às organizações.

Infográfico sobre Privacidade e Data Econmy

“Boas práticas de privacidade agregam valor ao negócio, trazendo oportunidades, não só ao mitigar o risco de vazamentos e prejuízo para a credibilidade, mas aumentando a confiança dos clientes e potenciais investidores”

Marcia Muniz, diretora jurídica da Cisco América Latina e do Canadá

 

A Box 1824 lida com dados pessoais e sensíveis a todo momento, visto que se trata de uma consultoria que utiliza a pesquisa como principal metodologia para desenvolvimento dos projetos. Os dados obtidos — principalmente em entrevistas — são o maior ativo da Box 1824, e isso faz com que a responsabilidade corporativa e social seja uma questão fundamental para a organização. 

Informações primordiais para o desenvolvimento dos projetos e metodologias são obtidas por meio de entrevistas. Por isso, o entrevistado pela Box 1824 é considerado um dos principais stakeholders da cadeia de valor. Nesse cenário, a organização se compromete a lidar com tais dados da maneira mais segura e estratégica possível, para evitar que informações tão sensíveis possam ser transmitidas para além dos limites legais e aceitáveis. Para que isso seja possível, diversos processos jurídicos e tecnológicos, além de treinamento e conscientização interna, fazem com que a Box 1824 garanta o tratamento desses dados obtidos de forma segura e eficiente. 

“A Box 1824 estabelece um vínculo de segurança com os entrevistados, e, por este motivo, temos conversas tão profundas e reais. Temos responsabilidade, transparência, respeito e, principalmente, cuidado, este que é um dos nossos principais stakeholders.”